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Um terço dos azeites vendidos no Brasil está irregular, aponta Ministério da Agricultura

Estudo realizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) aponta que um terço (33%) das amostras de azeite de oliva coletadas nos últimos dois anos no Brasil eram irregulares. Ao todo estavam com problemas 45 marcas de azeite das 140 coletadas, em 12 estados e no Distrito Federal. No total foram 207.579 litros de azeites com problemas, do total de 322.329 analisados. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (12) pelo Mapa.

MARCAS: confira a lista de produtos aprovados e a lista de reprovados, divulgadas pelo Ministério.

COMO ESCOLHER:  guia sobre como escolher seu azeite.

O uso de óleo vegetal com azeite lampante, extraído de azeitonas deterioradas ou fermentadas, que não deve ser destinado à alimentação, foi a fraude mais comum praticada pelas empresas envazadoras.

Os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e o Distrito Federal foram aqueles em que foram encontrados maior número de empresas com irregularidades.

No Paraná, foram identificadas empresas que vendiam produto como azeite de oliva, mas com composição de 85% de óleo de soja e 15% de lampante. Segundo o Mapa, essas empresas foram autuadas, multadas em até R$ 532 mil por irregularidade encontrada e os produtos foram apreendidos para descarte. As fraudadoras ainda foram denunciadas ao Ministério Público e um inquérito policial deve ser aberto.

De acordo com o Mapa, os envazadores que importam o produto a granel, principalmente da Argentina, foram os que tiveram mais problemas identificados. As análises são realizadas pelos Laboratórios Nacionais Agropecuários (LANAGRO) do Rio Grande do Sul e de Goiás.

A fiscalização de azeite de oliva foi intensificada, desde a semana passada, com coleta de amostras direcionadas às empresas que apresentaram irregularidades nos últimos dois anos. Segundo o Mapa, na primeira semana deste mês, foram recolhidos 243 mil litros do produto com suspeita de fraude.

Segundo dados do Comitê Oleícola Internacional (COI), o Brasil é o terceiro maior importador de azeite de oliva do mundo. No ano passado, o país importou cerca de 50 milhões de toneladas do produto.

O ministério informa que o azeite de oliva virgem pode ser classificado em três tipos: o extra virgem (acidez entre 0,8% e 2%), virgem (acidez menor que 0,8%), lampante (acidez maior que 2%). Os dois primeiros, explica, podem ser consumidos in natura, mantendo todos os aspectos benéficos ao organismo. Já o terceiro, tipo lampante, deve ser refinado para ser consumido, quando passa a ser classificado como azeite de oliva refinado. As análises também apontaram azeites desclassificados (que podem não ser considerados como azeite) e fora de tipo (não tem boa qualidade).

Para não levar gato por lebre, os técnicos do Mapa orientam o consumidor a desconfiar de preços muito abaixo da média do mercado. Especificações como o termo tempero em letras miúdas e, em destaque, azeite de oliva, podem indicar que não se trata de azeite, mas tempoero vendido como tal. Qualquer adição ou mistura com outros óleos vegetais requer que o produto seja rotulado como “Óleo misto ou composto”, destaca o ministério. O consumidor também deve ficar atento à validade e aos ingredientes.